Cada novo amigo é um pedaço reconquistado de nós mesmos. - Friedrich Hebbel

As Palavras são entidades mágicas, potências feiticeiras, poderes bruxos que despertam os mundos que jazem dentro dos nossos corpos, num estado de hibernação, como sonhos. - Rubem Alves

Não há nada de nobre em sermos superiores ao próximo. A verdadeira nobreza consiste em sermos superiores ao que éramos antes. - Esopo

Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda. - Carl Jung

É mais fácil escrever dez compêndios de filosofia do que aplicar um só princípio na prática. - Leo Tolstoi

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Fobias

Para falar de fobias temos de falar de ansiedade, pois os distúrbios fóbicos são uma das perturbações de ansiedade identificadas pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM IV), já a caminho da sua 5ª edição.

A ansiedade, tal como o medo, é uma resposta neurofisiológica ao stress sentido e este, segundo Hans Selye (1978) é a resposta não específica do organismo às exigências a ele impostas. A sua pesquisa pioneira levou ao desenvolvimento do síndroma geral de adaptação, que constitui um conjunto de reacções não específicas desencadeadas quando o organismo é solicitado para se adaptar a um estímulo adverso ou ameaçador. Todos os organismos, desde a bactéria ao Homem, desenvolveram mecanismos de defesa para lidar com mudanças significativas no seu ambiente interno ou externo.

Os estados emocionais, como o são definidos a ansiedade e o medo, modificam e modulam o funcionamento de todas as funções cerebrais e fisiológicas, cuja utilidade é optimizar esta capacidade de adaptação do organismo a um contexto ambiental específico, aumentando as suas hipóteses de sobrevivência, tanto a nível básico (sobrevivência do organismo) como a nível social.

Resumindo, podemos dizer que a ansiedade é um estado de alerta que serve para avisar de um perigo eminente e possibilita a tomada de medidas para enfrentar a ameaça. O medo é um sinal semelhante que se distingue da ansiedade por ser uma resposta a uma ameaça externa conhecida e definida ou de origem não conflituosa. Estes estados emocionais são muito próximos e são regulados pelo Sistema Nervoso Autónomo, que desempenha um papel importante em situações de emergência.

Mas esta resposta "inata" serve para nos deixar em estado de alerta, prontos a reagir, ao nos depararmos, por exemplo, com uma cobra ou mesmo para impulsionar o nosso estudo para um exame, prevenindo uma nota baixa e consequente abalo no nosso ego, muitas também são as vezes em que o perigo não existe e, ainda assim, este sistema é activado como que por engano. No entanto, é mais fácil desencadear todo o processo do que travá-lo, funções estas reguladas por diferentes áreas no nosso cérebro.

A fobia pode então ser definida como um medo irracional e exacerbado, em que este sistema de alarme é disparado por um estímulo mais ou menos específico. Este estímulo pode ser um local, uma situação ou um objecto e pode tomar as mais diversas formas. Podemos encontrar fobias de água (hidrofobia), do ar (aerofobia), de certos animais (como, por exemplo, a aracnofobia ou a felinofobia), da morte (tanatofobia), de espaços fechados (claustrofobia), de sangue (hematofobia), de objectos cortantes, de andar de avião, de atravessar a rua, etc. Cada uma com o seu nome e cada vez se "descobrem" mais nomes para dar a mais fobias específicas. Por uma questão de practicalidade e simplicidade nas nomenclaturas, foram definidos 3 tipos de fobias: fobia específica, fobia social e agorafobia (com ou sem transtorno de pânico associado).

Chegamos no entanto à conclusão que, no fundo, todas se resumem ao mesmo, o medo do medo, pois o que está por detrás do comportamento e mesmo da sintomática é a associação que o sujeito fez a determinado estímulo. E o medo dos próprios sintomas, assim como àquilo a que eles podem levar, levam ao evitamento das situações e objectos-estímulo.

Existem os mais diversos tipos de fobias e a característica que distingue este tipo de distúrbio do transtorno do pânico ou do distúrbio de ansiedade generalizada é o facto de existir um estímulo específico e identificável que dá início à reacção de ansiedade.

De entre estes tipos de fobias, pode ocorrer a Agorafobia ou a Fobia social, cuja característica essencial é uma ansiedade acerca de estar em locais ou situações das quais poderia ser difícil sair ou nas quais pode não haver ajuda disponível na eventualidade de ocorrer, por exemplo, um ataque de pânico ou sintomas associados. Esta ansiedade e medo levam ao evitamento das mais diversas situações.

Sendo que ambas as emoções de que falo são em tudo idênticas, falamos do mesmo tipo de manifestações sintomáticas, que poderão ser somáticas ou cognitivas. De entre estas manifestações podemos referir as tonturas, inquietação, palpitações, taquicardia, formigamentos, tremores, suores excessivos, confusão, sensação de falta de ar, medo de morrer, medo de perder o controlo, desconforto abdominal, náuseas, diarreia, urgência urinária, hiper-reflexia, dores musculares devido à tensão, entre algumas outras variações.

Um facto recorrente em diversas pesquisas é a medida em que a ansiedade afecta as nossas vidas quando o sistema de defesa e alarme é disparado por um estímulo não específico ou que não representa um perigo real, seja para a sobrevivência do organismo ou a nível social.

A ansiedade e o medo são, de facto, estados emocionais que "ocorrem" naturalmente nas nossas vidas. É a partir do momento em que estes começam a ser sentidos de forma persistente e perturbadora, que precisamos de tomar uma atitude. Por vezes pode, inclusivamente, dificultar a ascensão na carreira profissional, quer essa fobia se demonstre nos relacionamentos, ao falar em público ou ante a possibilidade de andar de avião quando este tipo de deslocações se fazem de alguma forma necessárias para tal progressão.

Quando o medo atinge tais proporções na vida de alguém, é necessária ajuda para o vencer e aprender a lidar com a ansiedade.

De entre a oferta terapêutica existente, encontramos a terapia comportamental, a existencial, a Gestalt, a psicanálise, a terapia centrada na pessoa, análise transacional e hipnoterapia. A abordagem terapêutica mais comum na fobia específica será talvez a dessensibilização sistemática e com muito bons resultados. Mas cada pessoa é diferente e assim o seu universo de experiências, como tal deverá ser o seu tratamento.

Podemos encontrar as mais diversas causas na origem destes transtornos fóbicos, assim como diversas teorias explicativas para os transtornos de ansiedade.

De acordo com a teoria psicanalítica, e segundo Freud, existem dois tipos de ansiedade: a ansiedade resultante da libido frustrada e a ansiedade decorrente de um sentimento difuso de preocupação ou medo que se origina num pensamento ou desejo reprimido. Também as teorias cognitivas nos indicam que estes distúrbios surgem de crenças e pensamentos inapropriados e inexactos relativos a circunstâncias do mundo da própria pessoa.

Segundo a teoria comportamental, a ansiedade será uma resposta condicionada a determinados estímulos do meio ambiente do indivíduo.

A teoria existencial tem como ideia principal o facto de que o indivíduo toma consciência de um profundo vazio na sua vida, uma percepção que se pode tornar extremamente perturbadora, sendo a ansiedade a sua resposta a este imenso vazio existencial e de significado.

Nas teorias biológicas, existem estudos genéticos que mostram dados consistentes quanto à existência de pelo menos um componente genético envolvido no processo. Sabemos ainda que o nível de ansiedade do indivíduo se relaciona a um gene específico envolvido na produção da serotonina, que vai no sentido das descobertas que indicam que certas deficiências químicas no cérebro parecem produzir alguns tipos de distúrbio de ansiedade.

Estas descobertas vão ao encontro de outras que nos relatam até o mesmo tipo de fobia em mais do que uma pessoa da mesma família. Podendo estas últimas, no entanto, também estar de acordo com a teoria comportamental justificando este facto como uma fobia que pode ser herdada, não via genética, mas via observação e aprendizagem.

Outros pesquisadores acreditam ainda que a causa pode estar na actividade exacerbada do sistema nervoso autónomo, numa amígdala demasiado activa, área responsável pelo disparo do alarme, ou deficiente activação do córtex pré-frontal, área responsável pela "travagem" do mecanismo.

Concluindo, existem diversas teorias para as causas dos distúrbios de ansiedade, no entanto nenhuma explica integralmente a totalidade dos casos.

O melhor tratamento vai depender então das mais diversas circunstâncias. No que refere à minha prática, a hipnoterapia pode ser de uma ajuda valiosa neste sentido, uma vez que tanto vai abordar a vertente cognitiva, como a comportamental, podendo, se necessário, passar pela análise, pela dessensibilização ou qualquer outra abordagem terapêutica que mais se adeque ao sujeito, tirando partido do estado de atenção concentrada e do relaxamento não só físico, como também do relaxamento das crenças e aprendizagens limitadoras existentes, por assim dizer.


Sofia Morgado
Hipnoterapeuta Referências: American Psychiatric Association (2000). DSM-IV-TR. Retirado de http://virtualpsy.localweb.com.br/dsm.php Selye, H. (1978). The Stress of Life, Revised edition. New York: McGraw-Hill Book Co.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Artigo: Ansiedade

A ansiedade pode ser sentida nas mais diversas áreas da nossa vida e, no mundo de hoje, é cada vez mais sentida como um problema que é necessário manter sob o nosso controlo, tornando-se este um assunto bastante discutido. Sendo a ansiedade uma vivência universal, partilhada pelos indivíduos que a sentem de uma forma natural na sua vida e por aqueles que a sentem de uma forma patológica, muitos estudos têm sido feitos sobre a emoção em si, as suas causas, os seus efeitos na vida do indivíduo e os seus mecanismos. A ansiedade, definida como um estado emocional, é, tal como o medo, uma resposta neurofisiológica ao stress sentido. Segundo Hans Selye (1978), stress é a resposta não específica do organismo às exigências a ele impostas. No artigo sobre as fobias, abordei, então, um pouco sobre estes estados emocionais muito próximos (a ansiedade e o medo) e sobre a ansiedade enquanto um sinal de alerta, servindo para avisar sobre um perigo iminente e possibilitando a tomada de medidas para enfrentar a ameaça. Estes estados emocionais são regulados pelo Sistema Nervoso Central, mais precisamente pelo sistema Nervoso Autónomo, que desempenha um papel importante em situações de emergência, do qual fazem parte as supra-renais Diversos estudos foram feitos pelas neurociências, que desmontaram e desenvolveram este processo, tendo sido encontrados dois caminhos prováveis para a informação e desencadeamento da respectiva resposta de ansiedade. Inicialmente julgava-se existir apenas um, que levava a informação captada pelos nossos sentidos até ao tálamo, seguindo daí para outras áreas de processamento sensorial no neocórtex, onde esta é processada e compreendida através de outras aprendizagens, enviando finalmente a mensagem à amígdala e ao hipocampo para que a informação fosse comparada com outra já conhecida, sendo desencadeada a resposta a partir deste ponto (Goleman, 2002). LeDoux (1986 cit. por Goleman, 2002) detectou, no entanto, percursos neuronais seguidos pelas emoções que não passam pelo neocórtex, não sendo portanto racionalizadas. Este segundo caminho, chamado de atalho na revista TIME (2002), refere-se a uma menor quantidade de informação que sai do tálamo directamente para a amígdala e o hipocampo, local de “armazenamento-chave da memória” Da amígdala partem mensagens para todas as principais partes do cérebro. Daqui sai informação para o córtex pré-frontal (local que pode bloquear a resposta ansiogénica), assim como, caso a amígdala faça soar o alarme, são activados o hipotálamo, o tronco central e o sistema nervoso autónomo (via medula espinhal). O hipotálamo, responsável por manter a homeostase e regular o comportamento que é crítico para a sobrevivência da espécie, segrega a hormona que prepara o corpo para as respostas de emergência, desencadeando a reacção luta-ou-fuga através de processos secundários. O sistema nervoso autónomo activa a mais diversa gama de respostas no sistema cardiovascular, nos músculos e no estômago. No tronco central, o locus ceruleus produz noreprinefina (também conhecida por “noradrenalina”), espalhando-a pelo cérebro e deixando-o basicamente em estado de alerta. “A maior parte destas mudanças ocorre fora do consciente”, no entanto, “quando a ansiedade que era inconsciente se torna consciente”, a amígdala dispara novamente uma série de respostas já bem conhecidas de toda a sintomática da ansiedade e “toda esta sequência – da incerteza, à surpresa, à apreensão e ao medo – decorre no espaço de cerca de um segundo”. (Goleman, 2002) Um dos inconvenientes deste avançado sistema de alarmes neuronais é o facto de as mensagens urgentes enviadas pela amígdala serem muitas vezes desactualizadas. Enquanto repositório emocional, a amígdala compara a informação que recebe no momento com situações do passado, por associação, e quando um elemento da actual situação é vagamente semelhante a um do passado, considera-o ”igual”, sendo por isso um “circuito tão pouco refinado: age antes de ter plena confirmação dos factos” (Goleman, 2002). A ansiedade deveria ser um mecanismo usado pelo nosso organismo para nos proteger e alertar para o perigo iminente, sempre que activado. Muitas das vezes, é de facto assim que acontece. Tanto serve para nos deixar em estado de alerta, prontos a reagir, ao nos depararmos com uma cobra, como para impulsionar o estudo para um exame, protegendo-nos de uma nota baixa e consequente abalo no nosso ego. No entanto, muitas também são as vezes em que o perigo não existe e, ainda assim, este sistema é activado, como que por engano. Está claro que é mais fácil desencadear todo o processo (via amígdala) do que travá-lo (via córtex pré-frontal). Um factor recorrente nas pesquisas citadas é a medida em que a ansiedade afecta as nossas vidas quando o sistema de defesa e alarme é disparado por um estímulo não específico ou que não representa um perigo real, seja para a sobrevivência do organismo ou a nível social. Mas não só o desencadear do mecanismo em situações não conflituosas, como também a persistência dos sintomas muito além do estímulo ou ameaça ter desaparecido se tornam uma constante nos dias de hoje e uma problemática a resolver. Sofia Morgado Hipnoterapeuta Referências: Golemam, D. (2002). Inteligência Emocional, 11ª edição. Lisboa: Temas e Debates – Actividade Editoriais, Lda. Gorman, C, Park, A., Whitaker, L. & Cray, D. (2002, Agosto 26). The Science of Anxiety. Time Europe, 160, 9, 46-54. Selye, H. (1978). The Stress of Life, Revised edition. New York: McGraw-Hill Book Co

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Transtornos de Humor na mulher por André Veras (PT)

Esta palestra tem a duração de uma hora e centra-se nestas perturbações em psicopatologia.

Veja o video, gratuitamente, seguindo este link.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Livro: 100 Q&A About Depression

De Ava Albrecht, "100 Q&A About Depression"
Editora: Jones and Bartlett Publishers, Inc.
Ano: 2005
ISBN: 0763745677
180 páginas
Formato: PDF
Tamanho: 10,9 MB

«Aproximadamente 35 a 40 milhões de americanos lidarão com depression grave em algum momento das suas idas. quer seja um paciente recém diagnosticado, parente ou amigo, este livro oferece ajuda. O único volume disponível para fornecer o ponto de vista do médico e do paciente, 100 Perguntas e Respostas Sobre Depressão dá-lhe respostas práticas às suas questões sobre opções de tratamento, estratégias de coping -- tanto para o pacient como para o cuidador, fontes de apoio, e muito mais. Este livro é um recurso valioso para quem procure lidar com o turbilhão emocional e físico desta condição debilitante.»

Fazer o download aqui

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Neuroses normais (US)

«Quando normal, o homem controla as suas neuroses, quando doente, as neuroses controlam o homem.» (Allan Fromme, 1981)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Palestra sobre Depressão (US)

Excelente colocação pelo professor da Universidade de Stanford, Robert Sapolsky.

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